Acerca de mim

Um pouco sobre mim

Nascido na Freguesia da Foz do Douro, Porto, berço da minha infância e juventude, mudei-me mais tarde para o "coração" da vizinha freguesia de Nevogilde, onde vivi alguns anos, freguesia que em tempos idos foi parte do concelho de Bouças (actualmente Matosinhos), considerada também como Foz, particularmente a sua frente marítima, destacada pelas avenidas do Brasil e de Montevideu, Após a reforma administrativa do Porto, S. Miguel de Nevogilde passou a fazer parte integrante da cidade e uma das suas quinze freguesias. Refiro o local onde vivi como "coração" da freguesia de Nevogilde, pelo destaque que o Largo (com o mesmo nome) merece, por ser o ponto principal de Nevogilde, largo que, tal como referiu em tempos o historiador Germano Silva, num artigo publicado no Jornal de Notícias: “é um dos raros recantos do Porto onde o urbanismo moderno não matou definitivamente o ambiente de ruralidade que por ali se respira”. Há mais de 30 anos fixei-me em Matosinhos, onde actualmente resido, próximo ao mar, mar esse que me viu nascer e sem o qual já não me habituava a viver. Gosto do seu barulho, do seu silêncio e do seu cheiro. Gosto de o sentir por perto e de caminhar junto a ele. Ele faz parte da minha vida.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Nos cem anos d´O Orfeão da Foz do Douro



O Orfeão da Foz do Douro assinala, neste primeiro dia de 2016, cem anos de existência.

A propósito disso quero aqui deixar algumas notas sobre aspectos relevantes na longa vida desta associação de cultura e recreio, sediada na rua das Motas, nºs 9 a 19, nesta freguesia.


Fundação

A sua fundação é reportada a 1 de janeiro de 1916, data em que o seu grupo coral se apresentou em público pela primeira vez num concerto realizado na escola infantil nº 2 (mais tarde designada escola primária masculina nº 85) ao Passeio Alegre.

Concerto sob a batuta do seu primeiro regente, José de Matos Vilar, uma grande figura de então em tudo que se relacionava com a música e o canto. Segundo rezam escritos da época, este evento obteve enorme sucesso, facto que serviu de incentivo para que um grupo de rapazes da Foz do Douro se dedicasse com afinco ao desenvolvimento da colectividade.

Existe na sede do Orfeão um quadro onde estão descritos como fundadores: Sebastião Campos, Alfredo José de Pinho, António Cunha Matos, José Vitorio Ferradanes Iglésias e Hernâni Júlio Rocha Lima. Porém, numa notícia publicada em 19 de abril de 1931, no jornal “O Piparote”, a propósito da festa anual do Orfeão da Foz do Douro, é referido, citando elementos da direcção de então, que os fundadores da colectividade teriam sido: António Pereira de Campos, Mário Bernardes, José dos Reis Ovideo, Manuel Martins Rodrigues e Alfredo Baptista Nogueira. Apenas o nome de Sebastião Campos é citado como membro directivo a partir de 1924. Mais diz aquela notícia que o Orfeão da Foz do Douro veio a fundar-se definitivamente em janeiro de 1917 (o dia não foi indicado) e que realizou a sua primeira Assembleia Geral  a 17 do mês seguinte. Teria havido uma refundação em Janeiro de 1917? Fica a dúvida!

Porém, por divergências surgidas no seu seio, acabou por interromper a sua actividade, pouco tempo depois da fundação, até ao ano de 1924. Neste ano reorganizou-se e passou a usar provisoriamente, como sede provisória, a já citada escola infantil, no Passeio Alegre.

A partir do ano de 1924, inclusive, o grupo coral, fez variadíssimas actuações públicas, a primeira das quais no "Au Rendez-Vous d´Êlite", mais tarde designado por Cine Foz, bem como em muitas outras salas do Norte, sendo que numa delas, em Felgueiras, pouco tempo depois de iniciar a actividade, já contava com oitenta executantes. Foi crescendo e cada vez mais conhecido e famoso. Dizia-se, na altura, que o nome da Foz do Douro “ecoava” por toda a parte.

A 24 de maio de 1925 é organizado o corpo cénico do Orfeão da Foz do Douro, com Jacinto dos Santos, José Aveleda e Margarida de Queiroz.

Reconhecimentos relevantes

A 23 de Dezembro de 1934, numa cerimónia realizada no salão da escola nº 85, ao Passeio Alegre, incluída nas festas comemorativas organizadas pelo Orfeão da Foz do Douro, foi entregue à colectividade o título de Oficial da Ordem de Benemerência, que lhe havia sido conferido pelo Presidente da República, à época, Marechal Carmona, por proposta do governo, tendo em conta os serviços que o Orfeão havia até então prestado à causa pública, participando com os seus agrupamentos, de canto e cénico, em iniciativas de apoio social. Esse título e respectiva medalha, foram entregues pelo representante do governo, Coronel Nunes da Ponte, cerimónia à qual estiveram presentes as mais altas individualidades civis e militares do Porto,

Foi ainda nesse dia que o associado do Orfeão da Foz do Douro, escritor Antero de Figueiredo, abriu, com uma dedicatória, o livro de Honra, que na colectividade havia sido criado. Aproveitou o facto da presença de várias individualidades na cerimónia para obter delas uma saudação no livro. O ilustre escritor finalizou a sua dedicatória com as seguintes palavras: “Leitores, está aberto este Livro de Honra. Espíritos de qualidade, almas boas, deixai aqui o registo dos vossos nomes – os vossos cumprimentos ao Orfeão da Foz do Douro.”

Em 1996 o Orfeão da Foz do Douro foi muito justamente homenageado pela Câmara Municipal do Porto, com a atribuição do mais alto galardão da cidade, a Medalha de Ouro de Mérito Municipal, por recomendação unânime da Assembleia Municipal. Esta distinção foi baseada no longo historial da associação, documento que anteriormente havia sido depositado nos serviços camarários respectivos.   

Locais, na Foz do Douro, onde teve a sua sede social, antes da actual.

Até se fixar no edifício actual, por volta de 1938, ocupando apenas uma parte do prédio, teve sede em alguns locais da Foz
Sede do O.F.D. (foto de 2003)
do Douro. Desconhecem-se as datas e o tempo de permanência em cada um. A sua primeira sede, ainda que provisória, foi, como atrás refiro, na Escola Infantil nº 2, ao Passeio Alegre. Mais tarde mudou-se para a rua Central (actual rua do Padre Luís Cabral) nº 868. Terá posteriormente ocupado instalações no Café Central, que existiu outrora na rua Senhora da Luz, do qual não se sabe o número. Teve depois sede na rua das Motas, nº 6. Posteriormente na rua de Cadouços, nº 79, na rua Bela, nº 3 e na rua do Passeio Alegre, nº 928. Regressou à rua das Motas, ao edifício nºs 9 a 19, tal como antes é citado, por volta de 1938. Passados bastantes anos, passou a ocupar toda a casa. Por inícios dos anos oitenta adquiriu o edifício/sede, com recurso a um empréstimo bancário (há muito liquidado).

Foram muitas as actividades do Orfeão da Foz do Douro ao longo da sua longa existência. Tentar descrevê-las nestas notas tornaria este texto demasiado extenso. A sua discrição e desenvolvimento ficarão para um trabalho a realizar futuramente.

Estas notas foram elaboradas com base em dados colhidos em documentos e publicações, mas também pelo conhecimento que fui adquirindo durante a minha actividade nos doze anos em que presidi à direcção do Orfeão da Foz do Douro, de que muito me orgulho.

Parabéns ao Orfeão da Foz do Duro e votos de muitos sucessos e muitos anos de vida.

01 de janeiro de 2016

Agostinho Barbosa Pereira



Imagens de Matosinhos à Foz do Douro

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