Acerca de mim

Um pouco sobre mim

Nascido na Freguesia da Foz do Douro, Porto, berço da minha infância e juventude, mudei-me mais tarde para o "coração" da vizinha freguesia de Nevogilde, onde vivi alguns anos, freguesia que em tempos idos foi parte do concelho de Bouças (actualmente Matosinhos), considerada também como Foz, particularmente a sua frente marítima, destacada pelas avenidas do Brasil e de Montevideu, Após a reforma administrativa do Porto, S. Miguel de Nevogilde passou a fazer parte integrante da cidade e uma das suas quinze freguesias. Refiro o local onde vivi como "coração" da freguesia de Nevogilde, pelo destaque que o Largo (com o mesmo nome) merece, por ser o ponto principal de Nevogilde, largo que, tal como referiu em tempos o historiador Germano Silva, num artigo publicado no Jornal de Notícias: “é um dos raros recantos do Porto onde o urbanismo moderno não matou definitivamente o ambiente de ruralidade que por ali se respira”. Há mais de 30 anos fixei-me em Matosinhos, onde actualmente resido, próximo ao mar, mar esse que me viu nascer e sem o qual já não me habituava a viver. Gosto do seu barulho, do seu silêncio e do seu cheiro. Gosto de o sentir por perto e de caminhar junto a ele. Ele faz parte da minha vida.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

A Ermida do Monte da Luz

Escreveu, em 21 de abril de 1758, o Vigário Frei Francisco de Jesus Maria, em informação que elaborou sobre S. João da Foz do Douro, destinada ao Bispo do Porto de então, D. António de Távora, que este lugar tinha cinco ermidas, designando como primeira a que tinha evocação a Nossa Senhora da Luz, mandada edificar, segundo ele, por um abade de Santo Tirso.

Segundo aquele escrito estava situada, fora do lugar, para a sua parte do norte, a “dois ou três tiros de espingarda”, na mesma distância do mar e mais elevada do que a povoação. Possuía uma torre “velha unida” e tinha no interior três altares. No maior, ao centro, a Senhora da Luz (imagem que se encontra na Igreja Matriz), cujos festejos ocorriam a 8 de setembro. Na parte direita, Santa Ana e na parte esquerda, Frei Pedro Gonçalves, este festejado por devotos navegantes na segunda-feira de Pascoela.


Esta Ermida não foi poupada pelas tropas Miguelistas durante o cerco do Porto (existia junto a ela um forte militar de defesa, que foi atacado) ficando bastante destruída o que motivou que decidissem demoli-la em 1835 só ficando de pé o farol, que havia sido construído muito antes, paredes-meias com a capela.

O Farol, vendo-se à esquerda as ruínas da Ermida. Desenho de Vilanova.

Na “Planta das Linhas do Porto” o coronel Arbúes Moreira, em 1833, assinalou a existência, no monte da Senhora da Luz, de um farol e um forte. Há dados que permitem afirmar que a capela já existia em 1680.

Em texto publicado no boletim da Câmara Municipal do Porto, com o título “Nossa Senhora Protectora do Porto”, Adriano Coutinho Lanhoso escreveu, sobre uma petição de 04 de janeiro de 1680, dos “Mordomos de Nossa Senhora da Luz” ao Bispo do Porto para que fosse dada autorização para a reconstrução da Ermida.

Planta Geográfica da Barra da Cidade do Porto, de Teodoro de Sousa Maldonado, em 1789. A Ermida de Nossa Senhora da Luz está assinalada por uma seta.

Nessa altura o então Vigário de S. João da Foz do Douro, Reverendo Sebastião Freire, terá confirmado, a pedido do Bispo, que a Ermida estava bastante destruída, devido ao tempo, garantindo que existiam muitos devotos à Senhora da Luz. Esta Capela era visível do mar a muitas léguas, referiu S. Oliveira Maia, no seu livro “Onde o Rio Acaba e a Foz do Douro Começa”, edição de “O Progresso da Foz”, em 1988, pelo que era por isso muito invocada, em momentos de perigo, pelos mareantes.

Está patente, numa das paredes do farol, uma placa com a seguinte inscrição: “Fundação em 22 de Agosto de 1680”. Mas há quem afirme que se trata da data da sua reconstrução, a que atrás aludi, e não a da sua origem.

A placa não poderá ser referente ao farol, como alguém já afirmou, porque este terá sido construído após a publicação em 01 de fevereiro de 1758, de um diploma do governo, assinado pelo Marquês de Pombal, em que sem mandava, com urgência, construir um farol nas proximidades do Porto.

O edifício onde funcionou o farol. Desenho de Salgado Guimarães em 1991

Muito ainda há para saber sobre esta Ermida e os seus festejos, dos quais não me parece existirem imagens. Aliás nem da própria Capela.

Contudo, uma dúvida se nos coloca. Sendo uma Capela com tantos devotos, não só de gentes da Foz, como dos seus arrabaldes, originando que o Monte da Luz se cobrisse de povo, porque não terá sido reconstruída, a partir de 1833, ano em que findou a guerra civil do cerco do Porto?

Texto de Agostinho Barbosa Pereira, publicado em 02 de fevereiro de 2014, na Página “A Nossa Foz do Douro” do Facebook..

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Imagens de Matosinhos à Foz do Douro

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