Acerca de mim

Um pouco sobre mim

Nascido na Freguesia da Foz do Douro, Porto, berço da minha infância e juventude, mudei-me mais tarde para o "coração" da vizinha freguesia de Nevogilde, onde vivi alguns anos, freguesia que em tempos idos foi parte do concelho de Bouças (actualmente Matosinhos), considerada também como Foz, particularmente a sua frente marítima, destacada pelas avenidas do Brasil e de Montevideu, Após a reforma administrativa do Porto, S. Miguel de Nevogilde passou a fazer parte integrante da cidade e uma das suas quinze freguesias. Refiro o local onde vivi como "coração" da freguesia de Nevogilde, pelo destaque que o Largo (com o mesmo nome) merece, por ser o ponto principal de Nevogilde, largo que, tal como referiu em tempos o historiador Germano Silva, num artigo publicado no Jornal de Notícias: “é um dos raros recantos do Porto onde o urbanismo moderno não matou definitivamente o ambiente de ruralidade que por ali se respira”. Há mais de 30 anos fixei-me em Matosinhos, onde actualmente resido, próximo ao mar, mar esse que me viu nascer e sem o qual já não me habituava a viver. Gosto do seu barulho, do seu silêncio e do seu cheiro. Gosto de o sentir por perto e de caminhar junto a ele. Ele faz parte da minha vida.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

A Batalha das flores na Foz do Douro





No início do sec. XX, eram frequentes as batalhas das flores por vários locais do país, normalmente inseridas no programa de quaisquer festas ou iniciativas públicas.

No seu livro RECORDANDO O VELHO PORTO, editado em 1963, o Brigadeiro Nunes da Ponte conta-nos como foi uma dessas festas, ocorrida no Passeio Alegre, à Foz do Douro, em 08 de Junho de 1902.

Desconhece-se a data do postal reproduzido mas crê-se que se trata de uma das imagens mais antigas do Jardim do Passeio Alegre, inaugurado em 1888, cujas obras só ficaram totalmente concluídas em 1892. 

Esta batalha de flores realizou-se no âmbito da iniciativa da comissão para o monumento a Almeida Garrett.

Podemos avaliar o êxito de tal iniciativa, quando o autor refere que a população da cidade, nesse dia, tinha “emigrado” para a Foz do Douro. Parecia um povo em êxodo, escreveu. Terá sido uma das melhores batalhas das flores até então realizada, segundo os jornais que a noticiaram.

(Foto do desfile de carros eléctricos realizado em 2014)
Os americanos, eléctrico puxado por dois cavalos, (conforme a foto à esquerda) partiram de diversos pontos chegando ao local do desfile a abarrotarem de gente, esmagada, comprimida e resignada.

O jardim do Passeio Alegre foi vedado com arame a toda a volta e as bancadas encostadas ao paredão da Meia Laranja.

No Jornal de Notícias, ao descrever a festa, dizia-se que não podia ser mais selecta, nem mais escolhida, a gente que enchia completamente as bancadas, porque lá se encontrava a primeira sociedade do Porto.

O Grupo Liberal Beneficente, importante instituição de caridade à época na Foz do Douro, colheu larga receita com o produto da venda de flores, serpentinas, confétis, etc. Além disso os vendedores ambulantes fizeram também grande negócio, por exemplo, na venda de rebuçados de avenca que esgotaram.

A cada passo se ouvia o estalar das molas dos kodaks de fotógrafos amadores destacando-se entre eles o conhecido Aurélio Paz dos Reis.

Às cinco horas da tarde teve início o desfile do majestoso cortejo, com os sons de uma salva de vinte e um tiros, clarins, tambores e os acordes do hino nacional executado por bandas regimentais participantes.

Dois arautos, vestindo gibões de veludo, montados a cavalo e empunhando clarins abriam o cortejo.

Seguiam-se os ciclistas, (reproduzo à direita a única imagem publicada no livro, de um ciclista participante) numerosos carros e por fim uma força a cavalo.

Os diversos carros alegóricos, conforme refere o cronista, muito bem engalanados, transportavam as senhoras da elite portuense. Destacava-se contudo uma carruagem muito singela do Grupo Diplomático da Foz do Douro, na qual seguiam muitas criancinhas.

Saliente-se que o cortejo era também participado por um único automóvel, dado que poucos existiam ainda na cidade.

A Tipografia Ocidental havia instalado uma máquina para impressão de um pequeno jornal Última Hora que foi largamente vendido a vinte reis o exemplar.

O entusiasmo era enorme. Jogavam-se flores entre as tribunas e a pista numa verdadeira batalha.
                                                       
No final, o júri atribuiu diversos prémios aos participantes mais criativos, destacando-se, o prémio da cidade, o do comércio, o das senhoras, o do Ateneu Comercial e o de Almeida Garrett.

Finda a batalha das flores ainda muita gente se manteve pela Foz do Douro. Muitos foram jantar ao Hotel Boavista. Outros foram passear, até cerca das vinte e uma horas para Carreiros, hoje Avenida do Brasil.

Agostinho Barbosa Pereira


Vista actual do interior do jardim do Passeio Alegre

    







Imagens de Matosinhos à Foz do Douro

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